φύσις κόσμος αίων κρόνος καιρός

A NATUREZA E O TEMPO (O MUNDO)


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aviso aos navegantes



Bactris hirta Mart. [as Bactris unaensis Barb. Rodr.].
Barbosa Rodrigues, J..Sertum palmarum brasiliensium, vol. 2: t. 17 (1903)

Disponível em http://plantillustrations.org/illustration.php?id_illustration=59667
Acesso em 14/01/2016.


AVISO AOS NAVEGANTES
Euler Sandeville Jr.
Versão inicial 18/03/2016. Novo texto: 06/03/2017.




cite este artigo:
SANDEVILLE JR., Euler. "Aviso aos navegantes" (2017). Disponível em http://anaturezaeotempo.net.br/ acesso em XX/XX/201X.



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Este domínio (anaturezaeotempo.net.br) foi criado em 13/01/2016 e sua proposta foi concebida como síntese de uma intensa reflexão que atravessou o ano de 2015. Como sítio, é um espaço de inquietação do meu pensamento. Não só os textos, mas toda a modulação do sítio, suas páginas e imagens, formam um projeto de construção e significação do conhecimento e um projeto comunicativo. O seu objetivo é pensar questões referentes à natureza contemporânea em uma perspectiva de longa duração. Nele vou reelaborando continuamente minhas reflexões e organizando o material de consulta. Portanto, é um espaço de indagação e proposição pessoal em elaboração contínua, não linear, ao modo de um caderno de anotações dinâmico, de extroversão dos conteúdos e de inquietações buscando o diálogo e o debate, tanto quanto espera ser um espaço de apoio a projetos de ensino que sejam críticos e criativos. Não está isento de tensões, de posicionamentos que podem ser revistos, de tatear os significados de modo exploratório e de vislumbrar horizontes. Não apresenta verdades, mas indagações. É um espaço de construções em construção.

Os ensaios inserem-se em uma perspectiva de longa duração convergindo na reflexão sobre nossa condição contemporânea. São ênfases dessa pesquisa o pensar e sensibilizar próprio da arte em suas diversas linguagens e contradições; a cultura em seu sentido antropológico; a construção contraditória e significativa do espaço vivido em que se inserem e, portanto, das transformações comportamentais e valorativas implicadas, observando-as como representações de mundo e poéticas. Considera-se de grande importância pensar as articulações entre campos do saber e do fazer, em especial arte, arquitetura, paisagismo, urbanismo e da cultura cotidiana. Procura-se situá-los em seu ambiente espacial e cultural, observando-os como campos sensíveis e da experiência e como projetos culturais diversos que em suas narrativas acasalam representações e poéticas em uma longa construção. O que talvez melhor defina meu interesse mais recente é o estudo das representações e do imaginário em suas dimensões históricas, relacionando os campos das artes, da história ambiental e da paisagem.

Os temas de uma história ambiental, ou da natureza, ou da paisagem (e nisso se inclui o projeto, em especial o paisagismo como parte do agenciamento do espaço social), como tendem a se colocar hoje, não têm como se constituir à revelia de outros, da história urbana, das artes, das mentalidades e assim por diante. Se não as dissociarmos em especializações, ao contrário, nos beneficiarmos delas, a temática é extremamente contemporânea, e expõe as relações sociais e ecológicas entre sociedade e natureza, entre poética e natureza, entre o projeto, a imaginação e a construção social do espaço e do ambiente em diferentes períodos.

O recorte temático desta fase que aqui apresento retorna a tempos que não explorei antes, como a Antiguidade e a Idade Média, mas basicamente parte e se volta para o presente, com foco na discussão da cultura ocidental. A fase inicial, ainda em elaboração, deve durar cerca de três a cinco anos e permitir uma circunscrição crítica e poética sobre várias fases históricas. Este trabalho que se inicia pode ser considerado a síntese que orienta aulas e pesquisas a partir deste momento e deve, como nas fases anteriores, convergir em diversas disciplinas de graduação e pós-graduação, além de cursos de extensão, bem como publicações, em especial as deste sítio. Em um prazo maior, deve convergir também em projetos de formação e valorização da natureza, bem como de acesso a conhecimentos necessários para transformação do ambiente, procurando uma nova forma de diálogo com as demandas sociais, em relação ao que já foi feito até aqui por mim.

Pesquisar é indagar a existência. Todo esforço de conhecimento sempre foi, para mim, um esforço de indagação do mundo, do ser no mundo entre outros, de crítica social e cultural, de suas heranças, de debate comportamental, de condição existencial. Não me proponho, como nunca me propus desde que comecei minha atividade de pesquisa e docência, a excluir os campos das sensibilidades ou o das razões no processo cognitivo de construir conhecimento. Trata-se de elaborar um exercício profundo e continuado, discernindo entre a informação e sua crítica, o confronto de saberes longamente formulados e as narrativas que vão se reconstruindo.

O debate histórico da cultura e da paisagem é necessário para compreender nossas heranças e sua inquieta gestação, nossa condição humana, e para onde apontam os movimentos atuais a partir do estudo de múltiplas camadas em que podemos repensar o tempo (o espaço). Como abordado aqui, a paisagem não implica em uma distinção entre vida pública e vida privada, ao contrário, as inclui. A continuidade da paisagem, como experiência e como fato geográfico, não obriga a segmentar o "indoors" do espaço aberto; ao contrário, ainda mais se tratando de cultura, deve reconhecê-lo.

A opção fundamental feita em A Natureza e o Tempo é a de trabalhar a construção dos saberes e artefatos como representações de mundo. As representações abrigam intencionalidades, campos simbólicos, de valores, de ação e não são necessariamente unitárias. Não é demais enfatizar, as representações se constroem no campo das experiências, da poética, das "relações entre", das contradições e heranças, da memória e dos desejos do devir e do imediato, da cognição e do fazer em seus sentidos mais amplos. Não são apenas ideias sobre o mundo desvinculadas do mundo. São consequentes, é preciso que não se esqueça disso. Esse campo de significação é próprio da existência humana e lhe atribui e recusa sentidos. O consenso não é a condição fundamental desse conhecimento que existir no mundo é. Porque existir é conhecer, é aprender, é extasiar-se e inquietar-se, é sentir a beleza, é um complexo riquíssimo de significações, negações e possibilidades. As representações, como também o imaginário, existem em campos simbólicos, abertos, poéticos, sensíveis, da memória, ou para eles apontam mesmo quando componham-se de aspectos ideológicos. Portanto, por essa dimensão existencial, as representações são tensas, contraditórias, em um contínuo e vital construir-se, tanto no tempo da existência e da experiência, quanto no social.

Ao pensar a natureza e o mundo, e assim os processos criativos de projeto e de produção social da paisagem e do espaço como representações, ao pesar conhecimentos atuais e milenares, vejo-me na necessidade de ponderar e refletir sobre esses significados. Em decorrência, os textos deste sítio permanecem abertos, em elaboração contínua, como convém a um espaço de pensar. Neles, não me furto de refletir diante de um mundo em mudança, e portanto diante de um devir em formação e de um passado em reelaboração. A partir das minhas convicções e seu embate na busca de construção de um conhecimento operativo, surgem problematizações que são focadas com maior detalhamento nas disciplinas que ministro. Os trabalhos desenvolvidos têm a finalidade de pensar e ajudar a pensar e a transformar o vivido e a produção do nosso espaço, em busca de novos desígnios para o devir, indagando seus significados, não obrigando a consensos, ainda que me posicionando diante dos desafios e heranças diante dos quais nos vemos.

Nenhum texto deste sítio, os de minha autoria, deve ser visto como ensaio no âmbito da filosofia ou sociologia, não só porque seria uma pretensão, mas porque, de fato, não é a intenção. Quando filósofos, cientistas e outras fontes são citados, o são como colaboração a um exercício de pensar o mundo a partir de suas evidências e sua cultura, como produção social e condição existencial. Não são tratados como elos restritos a seus campos, obrigando o raciocínio a curvar-se diante de um único esforço de linguagem. No âmbito da pesquisa, estão mais próximos de serem pensados como fontes primárias. Os textos têm um caráter exploratório, e os autores convidados o são para ajudar a construir propostas de uma elaboração dinâmica, porque não visam o momento da publicação, mas uma década de trabalho por fazer. De modo que as contribuições para o aprimoramento dos problemas enfrentados ou propostos são muito bem vindas, concordemos ou não, aceitemos ou não.

Quando os termos longamente elaborados no âmago e na duração desses campos disciplinares são citados, o que se pretende não é devassar a longa discussão acumulada, mas vincular outros aspectos do pensamento dos autores, aqueles que contribuam para uma discussão da natureza, do tempo e do mundo, nos termos em que são propostos e entendidos para este sítio. Natureza, tempo, mundo, não são apenas termos da nossa linguagem, e linguagem não é apenas a expressão, a sintaxe, o vocabulário e sua inevitável modulação na matéria, é nossa própria formulação e articulação de mundo em diálogo com a mudança e com vivido. De modo que o pensamento não é um patrimônio, ainda que a eles se possa dever muito, de Heidegger, Nietzsche, Kant, Sartre, Whitehead, Montaigne, Marx (e a quem mais se queira incluir ou excluir - são tantos) e nem que a eles devamos nos filiar ou às escolas que os encabeçam, pois, ao contrário isso seria usurpação do pensamento. Nem são eles a única e lídima porta de entrada, ainda que influenciem profundamente os campos disciplinares e o pensamento contemporâneo.

A filosofia tem suas formas de indagar a natureza e o mundo, a história tem outras, a geografia outras, a arquitetura e o urbanismo outras, a antropologia, a arqueologia, outras; e extensas zonas de intercâmbio e cooperação, de problematização, se estabelecem e tornam-se assim inextrincavelmente devedoras e nem sempre plenamente conscientes desses fluxos e transgressões de fronteiras dos quais depende o conhecimento. Mas os temas, os objetos como se diria tradicionalmente, são constituintes de todos esses saberes e a todos escapam, propondo um campo em que são significados na existência, significando assim esses campos na existência. Com a ressalva de que natureza, paisagem, tempo espaço, dificilmente possam ser vistos como objetos, na medida em que são relacionais, intersubjetivos, e coletivos, e nem sempre são conceitos no seu pleno sentido, ainda quando objeto de conceituação, porque, em especial a natureza, a paisagem, o tempo espaço, abrigam campos poéticos que, se esvaziados, no limite perde-se a ideia que se persegue.

Os textos deste sítio, salvo se expresso o contrário, não se referem à complexa lógica interna a cada disciplina e correntes em disputa intelectual, ainda quando elas eventualmente sejam convidadas, nem ao modo como cada autor se posiciona nesses campos e constrói seus termos. Mas, mesmo se incorporando essa teia complexa em que se inserem os autores, este não é um exercício interno aos campos disciplinares. O interesse de síntese e a transversalidade ao navegar de modo exploratório por elementos e evidências de nossa cultura (e não dos campos disciplinares em si) supera o interesse de especialização, ou mesmo indica um outro olhar, um exercício do livre pensar, com os riscos inescapáveis.

Daí porque um sítio, ao modo de um portal a longo prazo (imaginando que o trabalho venha a prosperar), é mais adequado e favorável do que os veículos estritamente acadêmicos, ligados a parâmetros de produtividade e parcelares, de lenta distribuição e impossíveis de serem atualizados, e não raro condicionando a linguagem ao risco inverso, o da normatização. Considere-se este um caderno de anotações, com rabiscos e anotações continuadas. Mesmo que "fora de moda" como diziam os antigos, preciso pensar mais do que produzir, e pensar e aprender levam tempo, demandam tentativa e erro, revisão constante, elaboração e problematização em processo, processo longo, que de imediato tem nada. Um tempo que nos está negado nesse cronos reduzido à fração, que nos permitem.

Devo ainda observar que não há lá um pesquisador, e acolá um docente. Trata-se de um docente que pesquisa, movido por indagações de uma vida, cuja decisão nessa direção, que também foi um projeto de vida, remonta a mais de mais de três décadas e meia (escrevo em 2017). Nesse percurso, a atividade didática não foi, nem é, transferência de saber adquirido, é indagação orgânica, desafiadora, momento riquíssimo e privilegiado de construção e aprendizagem. A dimensão da construção dos sentidos da existência é fundamental para a pesquisa em humanidades. A compreensão dessas transformações em uma longa duração lança luz sobre o imediato do presente, de suas rupturas e continuidades, de sua aparente instantaneidade e ao mesmo tempo de sua radical contemporaneidade em relação ao que foi e ao que persiste na brevidade voraz e acelerada da sociedade urbana e industrial de consumo.

Como elaborar o longo aprendizado, como ter esse processo como geratriz de um novo momento criativo e crítico, que contribua de um modo rico para a formação e aprendizagem de outras pessoas é o que me coloco permanentemente, sobretudo agora para configurar uma próxima década de trabalho, cujo ciclo desencadeei no início de 2016, mas bem se pode contar a partir deste ano em curso (2017), quando em junho, ao completar 60 anos, parece-me bastante aceitável não só rever o percurso, mas pensar uma contribuição de maior maturidade. Encontro-me, em decorrência dos próprios estudos que realizei, diante da necessidade de estabelecer uma investigação de profundamento sobre esses conteúdos, convidando novos, que desvelem intuições e percepções ainda por explorar. Ao longo de todo o percurso profissional, uma dupla preocupação (compreensão da cultura em uma perspectiva histórica e a intervenção no presente), persistiu e foi depurada na prática docente e da indagação intelectual.

Daí porque, como dito no início deste artigo, espera-se que este sítio possa ser também um espaço de apoio didático (sugerindo não só a informação mas, sobretudo a possibilidade de seu debate). Tem a motivação de servir de apoio a alunos e a pesquisadores sem dúvida, e a pessoas que se indagam sobre as coisas, seus processos e significados. Mas este é um dos níveis de como este sítio pode ser visitado, que não limita sua intencionalidade. Porém, que não se esqueça, trata-se de um espaço de ensaio, de busca. Não está isento de tensões, de posicionamentos em construção contínua, de tatear os significados de modo exploratório e de vislumbrar horizontes. Não apresenta verdades, mas indagações. É um espaço de construções em construção.

Finalmente, agradeço sugestões e eventuais correções de redação, conceitos, de datas ou de informação.

Por favor, atente ainda para os avisos a seguir.

O sítio não tem finalidades econômicas, nem insere para sua produção e manutenção qualquer anúncio. É mantido exclusivamente por mim com recursos próprios, como um projeto livre de conhecimento e debate da cultura, das heranças, de formas de ver o mundo. Não se aceita aqui qualquer forma de publicidade. Todas as páginas são editadas e atualizadas por mim, utilizando software livre   bluefish    gthumb.

Eventualmente serão disponibilizadas publicações e material ou textos de minhas pesquisas anteriores que contribuam para o conteúdo aqui pretendido. Nesse casos, poderá haver uma diferença de abordagem ou de conceitos, até do modo de formular e expor os problemas, o tempo e o espaço, pois expressam tempos distintos da produção intelectual e eventualmente formas distintas de pensar os problemas da história da cultura. Mas sua fonte original estará indicada, bem como se foram reelaborados ou não, e não havendo sido, a atenção a este ponto é mais importante. A mesma atenção se pede ao leitor para textos de outros autores, pois nem sempre há consenso sobre os termos, os objetivos, os valores, os métodos, o que é saudável, desde que o leitor os discirna.

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