pesquisar é indagar a existência

 

como citar:
SANDEVILLE JR., Euler. “Pesquisar é indagar a existência“. A Natureza e o Tempo (o Mundo), on line, São Paulo, 2018-2019. Disponível em https://anaturezaeotempo.net.br/2018/06/15/pesquisa/, acesso em XX/XX/XXXX.

 

Todo esforço de conhecimento sempre foi, para mim, um esforço de indagação do mundo, do ser no mundo entre outros, de crítica social e cultural, de suas heranças, de debate comportamental, de condição existencial. Não me proponho, como nunca me propus desde que comecei minha atividade de pesquisa e docência, a excluir os campos das sensibilidades ou o das razões no processo cognitivo de construir conhecimento, nem os riscos e desafios de pensar os acontecimentos. Trata-se de elaborar um exercício profundo e continuado, discernindo entre a informação e sua crítica, o confronto de saberes longamente formulados e as narrativas que vão se reconstruindo. Essa construção da história e do presente é uma inquieta gestação de nossa condição humana e espiritual (quando se reconhece uma), e sua indagação é também a problematização de para onde apontam os movimentos em curso, dos quais percebemos por vezes apenas as sombras em movimento.

Caspar David Friedrich (1774-1840), Caminhante Sobre o Mar de Névoa. By Caspar David Friedrich – Web Gallery of Art, Public Domain [commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1037098 acesso em 09/03/2016]

A Natureza e o Tempo (o Mundo) desenvolve estudos de história cultural da natureza e dos saberes e processos criativos na transformação do espaço, em uma perspectiva crítica dos nexos nos processos de sua produção, com foco nos campos da representação e do imaginário, da construção e transformação de significados, valores e comportamentos e das tensões entre diferentes territorialidades e representações culturais. Coloca-se em questão as visões de mundo e a construção de seus significados, bem como os esforços interpretativos, que os diversos sujeitos e projetos mobilizam no âmbito do imaginário e da cultura e nos processos de produção social das paisagens, suas formas de subjetivação, apropriação, valoração e gestão.

Duas imagens do mundo em 1972, por fora e por dentro:

The Blue Marble. Fotografia da Terra, tirada em 7 de dezembro de 1972 pela tripulação da missão Apollo 17, a uma distância de aproximadamente 45 000 km da Terra, a caminho da Lua.Oficialmente, a NASA credita a imagem a toda a tripulação da Apollo 17 — Eugene A. Cernan, Ronald E. Evans e Harrison H. Schmitt — todos tirando fotografias durante a missão, com uma câmara Hasselblad. Posteriormente, Schmitt alega que foi o autor desta imagem famosa, embora a identidade do fotógrafo não possa ser confirmada. The Blue Marble foi a primeira imagem nítida de uma face iluminada da Terra. Publicada no auge do ativismo ambiental durante os 1970s, a imagem foi vista por muitos como um retrato da fragilidade da Terra, vulnerável e isolada no espaço. Disponível em pt.wikipedia.org/wiki/The_Blue_Marble acesso em 18/07/2018

Phan Thị Kim Phúc, também conhecida como Kim Phúc (Trảng Bàng, Vietnã, 2 de abril de 1963), então com de 9 anos. Em 8 de junho de 1972, fugia durante bombardeios de Napalm pelos EUA na Guerra do Vietnã, na Rota 1 perto de Trang Bang, depois de um ataque aéreo contra suspeitos de esconderijos vietcongues. Fotógrafo Huynh Cong Ut (tinha 21 anos) da agência Associated Press e recebeu o World Press Photo de 1972 e o Pulitzer de Reportagem Fotográfica de 1973. Não menciona restrição de direito autoral ou de reprodução. Disponível em npr.org/sections/goatsandsoda/2015/09/04/437582231/an-image-of-a-child-can-change-the-way-we-see-the-world, acesso em 04/03/2016.

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paisagens contemporâneas: territorialidades e tensões culturais (2019)

AUP5883 PAISAGENS CONTEMPORÂNEAS: TERRITORIALIDADES E TENSÕES CULTURAIS

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

Prof. Euler Sandeville

Prof. Jorge Bassani

Data inicial: 1408/2019 Data final: 04/12/2019

Horário: Quarta 18:30 – 22:30 Local: Cidade Universitária

Tema: 2020 (2045 – 25) ¾ DE SÉCULO DE VERTIGEM, INSANIDADE E ILUSÃO

plano de aulas em construção

14/08 2020 (2045 – 25) ¾ de século de vertigem, insanidade e ilusão

Pensamentos iniciais (Euler Sandeville)

21/08 – Genealogia dos discursos dissidentes (1945 – 1968)

Leituras indicadas:

HENRI LEFEBVRE E A INTERNACIONAL SITUACIONISTA. Entrevista conduzida e traduzida para o inglês em 1983 por Kristen Ross.

Maio de 1968 em Paris testemunho de um estudante Michel Thiollent

28/08 Toward a New World Order

Leituras indicadas:

AGAMBEN, Giorgio. O que é o contemporâneo? e outros ensaios. Tradução Vinícius Nicastro Honesko. Chapecó: Argos, 2009 [2006]. Lição Inaugural O que é o contemporâneo? p 57-73

MAGNOLI, Demétrio. O grande jogo. Política, cultura e ideias em tempo de barbárie. São Paulo: Ediouro, 2006. Introdução e Capítulo 1: Heranças da Guerra Fria p.11-35

SANDEVILLE JR., Euler. “A Terra azul…Que mundo é esse?“. A Natureza e o Tempo (o Mundo), on line, São Paulo, 2016.

parte 1: o mundo contemporâneo
parte 2: conhecer não é preciso…
parte 3: essa nova realidade já está aqui
parte 4: nossos novos ícones e nossa nova percepção do mundo
parte 5. o lado sombrio
parte 6. olhares que não enxergam os fossos
parte 7. em tempo real
parte 8. para onde nossas decisões nos conduzem (conclusão)

04/09 – semana da pátria Continuar lendo

AUP5883 PAISAGENS CONTEMPORÂNEAS: TERRITORIALIDADES E TENSÕES CULTURAIS

AUP5883 PAISAGENS CONTEMPORÂNEAS: TERRITORIALIDADES E TENSÕES CULTURAIS

progrma de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Área de Concentração Paisagem e Ambiente

Prof. Euler Sandeville

Prof. Jorge Bassani

No final desta apresentação do projeto desta disciplina você irá encontrar os links para os programas de cada oferecimento.

A disciplina foi proposta e criada em 2017 pelo Prof. Euler Sandeville Jr., inicialmente propondo-se o título 19451955195719691971197219742012 – Da Contra-Cultura à Paisagem Contemporânea. A numeração 19451955195719691971197219742012 (UPC/EAN) era um código de barras (Universal Product Code-UPC; European Article Numbering System-EAN) da cultura criado para um projeto mais amplo de discussão da cultura contemporânea, formado por uma conjunto de eventos que iniciava-se em 1945: em minutos, Hiroshima deixou de existir.

É 08:15, 06 de Agosto. As crianças correm pela casa, o sol doira a paisagem através da janela, e planos do dia-a-dia derramam-se pelos sorrisos indicando, entre as dores, a razão de tanto trabalho. Continuar lendo

MUNDUS NOVUS: APRESENTAÇÃO

OS TEMPOS E OS MUNDOS: SOBRE A ANTIGUIDADE DOS MUNDOS

 

A LONGA ANTIGUIDADE DOS MUNDOS IV
MUNDUS NOVUS [1] (1055 a 1749)
A Longa Idade Média e a nova antiguidade
A invenção da Europa. Do sobrenatural à natureza.

 

O globo terrestre.

 

Euler Sandeville Jr.

Pesquisar é indagar a existência.
φύσις κόσμος αίων κρόνος καιρός
este mundo está em guerra, embora muitos de nós desejem a paz

 

 

como citar:
SANDEVILLE JR., Euler. “Mundus Novus (C. 1055 a 1749)“. A Natureza e o Tempo (o Mundo), on line, São Paulo, 2016-2018.

 

Como imagens nesta abertura desta seção, ofereço-lhes três cenas. São cenas de almoço muito sofisticadas, reproduzidas abaixo, onde a refeição é tanto ordem social quanto é inserida em uma ordem cósmica ou do destino humano.

Como você poderá verificar, esses almoços não são em nada comparáveis, nem na finalidade, enredo, técnica e suporte, contexto social. As datas de realização abrem e fecham o quatrocentos, o que obviamente não dá conta da complexidade das relações sociais e do imaginário dessa “Longa Idade Média” ou “Era Moderna”, mas é suficiente para ilustrar que ambas indicam temporalidades ampliadas para muito antes e depois da data estrita de sua criação.

A primeira, dos irmãos Limbourg (Herman, Paul, e Jean, todos falecidos com menos de 30 anos em 1416, juntamente com Jean de Berry) integra o extraordinário Les très riches heures du duc de Berry (literalmente, As muito ricas horas do Duque Jean de Berry). O Duque (1340-1416) era filho do rei João II e irmão de Carlos V da França, de Luis I de Nápoles (Duque de Anjou, 1339-1384) e de Filipe II (Duque de Borgonha, 1342-1404). Depois dos irmãos Limbourg trabalharam também no livro Jean Colombe (1430-1493) e possivelmente Barthélemy van Eyck (c. 1420-posterior a 1470).

 

Frères de Limbourg, Les très riches heures du duc de Berry, mês de janeiro, museu Condé, Chantilly, ms.65, f.1v, c. 1411-1416.
This is a faithful photographic reproduction of a two-dimensional, public domain work of art. The work of art itself is in the public domain for the following reason: This work is in the public domain in its country of origin and other countries and areas where the copyright term is the author’s life plus 100 years or less. Disponível em commons.wikimedia.org/wiki/File:Les_Tr%C3%A8s_Riches_Heures_du_duc_de_Berry_Janvier.jpg acesso em 14/03/2016.

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A AURORA NA NEBLINA: APRESENTAÇÃO

OS TEMPOS E OS MUNDOS: SOBRE A ANTIGUIDADE DOS MUNDOS

A LONGA ANTIGUIDADE DOS MUNDO I
A AURORA NA NEBLINA (os relatos das origens, até o neolítico)
Nossa Terra Incognita: amnésia e imaginação: hic sunt dracones [1]

Os vestígios no silêncio…

 

Euler Sandeville Jr.
Junho de 2017 (definição da seção março de 2016), reorganização setembro de 2018.

como citar:
SANDEVILLE JR., Euler. “A aurora na neblina: apresentação da seção“. A Natureza e o Tempo (o Mundo), on line, São Paulo, 2016-2018.

 

Pesquisar é indagar a existência.
φύσις κόσμος αίων κρόνος καιρός
este mundo está em guerra, embora muitos de nós desejem a paz

 

 

“Um povo é como um homem. Quando desaparece, nada mais resta dele, se não tiver tomado o cuidado de deixar sua impressão nas pedras do caminho” (Élie Faure [2]).

 

Com a frase acima Élie Faure, em sua “A Arte Antiga” (1909) [2] , encerra o capítulo que trata da arte paleolítica e neolítica. Mas essa impressão deixada muita vezes é muda e silenciada hermeticamente no tempo, senão pelo ponto de onde a observamos hoje e a queremos ver como resposta para nossas suposições. Esta seção de “A Natureza e o Tempo (o Mundo)” trata desses tempos, dos quais restam apenas vestígios muito parciais e esparsos, que dão lugar a hipóteses muitas vezes mais imaginativas sobre esse passado distante do que de fato conclusões racionais. Hipóteses que, mais do que desvendar esses tempos, elucidam o modo como desejamos nos narrar e nos ver no mundo.

Seja bem vindo para adentrar a discussão sobre a longa antiguidade dos mundos. Continuar lendo

a estrutura do projeto

A NATUREZA E O TEMPO (O MUNDO): A ESTRUTURA DO PROJETO
docente responsável: Euler Sandeville Jr.
Pesquisar é indagar a existência.
φύσις κόσμος αίων κρόνος καιρός
este mundo está em guerra, embora muitos de nós desejem a paz

como citar:
SANDEVILLE JR., Euler. “A Natureza e o Tempo (o Mundo): a estrutura do projeto“. A Natureza e o Tempo (o Mundo), on line, São Paulo, 2016.

I. A NATUREZA E O TEMPO (O MUNDO): POÉTICAS E REPRESENTAÇÕES
1. APRESENTAÇÃO, CONCEITOS E MÉTODOS
1. CONCEITUAÇÃO (apresenta a proposta do trabalho)

2. CRONOS: MUNDOS (Algumas questões de método)

3. GEO (As regiões do mundo, adotadas neste projeto)

2. SOBRE A ANTIGUIDADE DOS MUNDOS

1. A AURORA NA NEBLINA (os relatos das origens, até o neolítico)
Nossa Terra incógnita: amnésia e imaginação: hic sunt dracones

2. A LONGA ANTIGUIDADE DOS MUNDOS I (3500 a.C. 64 a.C.)
A natureza, o sagrado e o sobrenatural, o divino, as terras e os tempos.

3. A LONGA ANTIGUIDADE DOS MUNDOS II (63 a.C. a 1054 d.C.)
A natureza, o sagrado e o sobrenatural, o divino, as terras e os tempos.

4. MUNDUS NOVUS (cerca 1054 a 1750/1774)
A invenção da Europa, a nova Antiguidade. Do sobrenatural à natureza.

3. SOBRE A BREVIDADE DO PRESENTE

5. MUNDOS MODERNOS (c.1750 A 1945).

6. MUNDOS CONTEMPORÂNEOS (OU DEPOIS DO FIM DO MUNDO) (depois de 1945).
O mundo como matéria. about:config: hic sunt dracones.

4. NATUREZA E CULTURA NO BRASIL

5. TEMAS TRANSVERSAIS

6. PLANETÁRIO

 

II. AION

1. PERÍODOS E TEMPOS

1. A AURORA NA NEBLINA (os relatos das origens, até o neolítico)
Nossa Terra incógnita: amnésia e imaginação: hic sunt dracones

2. A LONGA ANTIGUIDADE DOS MUNDOS I (3500 a.C. 64 a.C.)
A natureza, o sagrado e o sobrenatural, o divino, as terras e os tempos.

[ 3500 a.C. a 1571 a.C. ]

[ 1570 a.C. a 1150 a.C. ]

[ 1550 a.C. a 0900 a.C. ]

[ 0900 a.C. a 0613 a.C. ]

[ 0612 a.C. a 0 539 a.C. ]

[0 538 a.C. a 0337 a.C. ]

[0 336 a.C. a 0064 a.C. ] Continuar lendo

as 95 Teses de Lutero de Martinho Lutero

As 95 Teses de Lutero de Martinho Lutero

Por amor à verdade e no empenho de elucidá-la, discutir-se-á o seguinte em Wittenberg, sob a presidência do reverendo padre Martinho Lutero, mestre de Artes e de Santa Teologia e professor catedrático desta última, naquela localidade. Por esta razão, ele solicita que os que não puderem estar presentes e debater conosco oralmente o façam por escrito, mesmo que ausentes. Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém. Continuar lendo

1530 A Confissão de Augsburgo

A CONFISSÃO DE AUGSBURGO

– 25 DE JUNHO DE 1530 –

No dia 21 de janeiro de 1530, o Imperador Carlos V convocou uma dieta imperial a reunir-se em abril seguinte, em Augsburgo, Alemanha. Ele desejava ter uma frente unida nas suas operações militares contra os turcos, e isso parecia exigir um fim na desunião religiosa que tinha sido introduzida como resultado da Reforma. Conseqüentemente, convidou os príncipes e representantes das cidades livres do Império para discutir as diferenças religiosas na futura dieta, na esperança de superá-las e restaurar a unidade. De acordo com o convite, o Eleitor da Saxônia pediu aos seus teólogos em Wittenberg que preparassem um relato sobre as crenças e práticas nas igrejas da sua terra.

PREFÁCIO

(Tradução do texto latino do prefácio)

Invictíssimo Imperador, César Augusto, Senhor clementíssimo. Porquanto Vossa Majestade Imperial convocou uma dieta imperial para Augsburgo, destinada a deliberar sobre esforços bélicos contra o turco, adversário atrocíssimo, hereditário e antigo do nome e da religião cristãos, isto é, sobre como se possa resistir ao seu furor e ataques com preparação bélica durável e permanente; e depois também quanto às dissensões com respeito a nossa santa religião e fé cristã, e a fim de que neste assunto da religião as opiniões e sentenças das partes, presentes umas às outras, possam ser ouvidas, entendidas e ponderadas entre nós, com mútua caridade, brandura e mansidão, para que, corrigido o que tem sido tratado incorretamente [C] nos escritos de um e outro lado, possam essas coisas ser compostas e reduzidas a uma só verdade simples e concórdia cristã, de forma tal, que, quanto ao mais [D], seja praticada e mantida por nós uma só religião pura e verdadeira; e para que assim como estamos e militamos sob um mesmo Cristo, possamos da mesma forma viver em uma só igreja cristã, em unidade e concórdia; e porque nós, os abaixo assinados, assim como os outros eleitores, príncipes e ordens, fomos chamados à supramencionada dieta, prontamente viemos a Augsburgo, a fim de nos sujeitarmos obedientes ao mandato imperial, e, queremos dizê-lo sem intuito de jactância, estivemos entre os primeiros a chegar. Continuar lendo