a natureza e o tempo

Destacado

Caspar David Friedrich (1774-1840), Caminhante Sobre o Mar de Névoa. By Caspar David Friedrich – Web Gallery of Art, Public Domain [commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1037098 acesso em 09/03/2016]

A Natureza e o Tempo (o Mundo) é um espaço de pensamento e elaboração sobre as pesquisas em minha linha de estudos História da Cultura e da Paisagem (Arte, Natureza e Cidade) iniciada nos anos 1980, sendo este projeto criado no início de 2016 (neste endereço, em 12 de junho de 2017). É mais do que um espaço de extroversão e de apoio ao ensino e diálogo com internautas, o que também é, mas configura-se como um espaço experimental e de pensar em processo. Os estudos de história da cultura tomam como objetos de ponderação a natureza e a construção do espaço habitado (considerando as relações entre as artes, a cultura, as paisagens, o comportamento). Os conteúdos inserem-se em uma perspectiva de longa duração convergindo na reflexão sobre nossa condição contemporânea e em ensaios temáticos recortados nesses longos períodos ou a eles transversais.

 

 


 

o dilema de cronos

O DILEMA DE CRONOS (2017)
Euler Sandeville Jr.
20/07/2017

como citar:
SANDEVILLE JR., Euler. “O dilema de cronos (2017)“. A Natureza e o Tempo (o Mundo), on line, São Paulo, 2017.

Esta seção deve problematizar o tempo. Ou melhor, o modo como lidamos com a ideia de tempo. O tempo é inerente à nossa visão da natureza e do mundo, mas nem sempre foi, como diria Robert Lenoble à respeito da ideia de natureza, o mesmo. Nem todas as épocas conceberam o tempo do mesmo modo, nem o fizeram do mesmo modo os homens a cada época.

A experiência pessoal se constrói em tempos e temporalidades que se embrenham pelo sensível e pelo intelectivo (ambos e não apenas um compõem nossa dimensão cognitiva), pelo aprendizado e pela memória, na ansiedade e na realização, pelo modo como a cada momento nos distraímos e nos concentramos: nossa percepção do tempo nem sempre usufrui o tempo do mesmo modo. Passado, presente e futuro estão embrenhados, e ao revisitá-los pensamos em organizar o vivido em fases ou períodos, e reconhecer tendências, tanto quanto a esquecer. Daí A Natureza e o Tempo (o Mundo).

Nos estudos acadêmicos não há um tempo objetivo, por mais que se apresente como tal uma datação, uma cronologia ou um determinado período da história, não raro dissociando tempo e espaço. Tempo e espaço estão embrenhados, a existência de um implica a existência de outro, mas não raro aprendemos a autonomizá-los. Problematizar o tempo do nosso entendimento do presente e do passado é portanto uma possibilidade de refletirmos sobre o modo como, enquanto sociedade, grupos e indivíduos, nos concebemos e localizamos no mundo. Daí A Natureza e o Tempo (o Mundo).

O tempo é inexorável, em sua finitude que parece não ter fim sempre nos superando. Recusamos a passagem do tempo, ou esperamos deixar as marcas de nossa passagem nele. Nossa sociedade tende a nos apresentar o tempo como o horizonte da existência, o que significaria ter a morte como seu termo e a consciência como um acidente. Paradoxalmente, ainda quando pensando assim, como que nos apegando ao imediato inexorável da existência segundo essa concepção, e contraditoriamente desejando prolongá-la, queremos deixar nossa memória registrada para os que ficam sob o sol.

Outras sociedades intentaram vencer a morte enterrando com o morto os signos de sua vida, em alguns casos com pessoas que se considerava a ele subordinadas. Outros, viram na vida e na morte ciclos que retornam sem fim ao tempo. Outros ainda viram na possibilidade de ressurreição a superação do tempo, de modo que o tempo não define a existência, que o transcende.

Tentamos enganar a morte e superar o tempo, como no magnífico filme de Ingmar Bergman, “O Sétimo Selo” (1956, lançado no Brasil em 1959). Vida e morte parecem integrar toda a concepção de natureza, e o tempo e o espaço a ambiência em que se desenrolam essas possibilidades. No enredo,o cavaleiro Max von Sydow (Antonius Block), após retornar de uma cruzada e encontrar a Europa devastada pela peste, defronta-se com a Morte (Bengt Ekerot). Na cena abaixo, ele e a Morte jogam uma partida de xadrez, artifício através do qual espera conseguir enganá-la e prolongar sua vida, mesmo em meio ao cenário de desolação que encontra ao retornar das inumeráveis lutas em um local distante ao seu mundo conhecido, que já não lhe é mais familiar.

O Sétimo Selo. Roteiro e Direção de Ingmar Bergman, lançamento em 1956. Premiado no Festival de Canes em 1957, lançamento no Brasil em 1959. Com Gunnar Björnstrand, Bengt Ekerot, Nils Poppe, Max von Sydow, Bibi Andersson, Inga Gill. Montagem: Lennart Wallén. Distribuição: AB Svensk Filmindustri. Fotografia: Gunnar Fischer. Trilha Sonora: Eric Nordgren. Produtor Allan Ekelund Allan Ekelund. Duração: 96 min. Disponível em Locus Cinemae – Associação de Cinema de Caminha ccaminha.wordpress.com/2016/08/31/boletim-da-260a-sessao-o-setimo-selo-de-ingmar-bergman-1957/, acesso em 20/07/2017.

O modo como respondemos ao tempo integra a construção de significados de como nos entendemos como sociedade, e de como projetamos nossas possibilidades na descoberta contínua de nossa existência. Não vi melhor forma do que começar esta seção senão com as duas imagens abaixo, em que a força da representação, a permanência e a passagem do tempo com seu apagamento e resquícios podem ser um convite à nossa reflexão.

Zeus (Ζεύς) era, para a mitologia grega, o mais poderoso dos deuses, com a autoridade sobre os deuses olímpicos, após destronar seu terrível pai, ninguém menos do que Cronos. Cronos era o deus do tempo que a tudo devora, de modo que derrotá-lo dá uma medida de seu poder:

Cronos casou com a sua irmã Reia, que lhe deu seis filhos (os crónidas): três mulheres, Héstia, Deméter e Hera e três homens, Hades, Posídon e Zeus. Como tinha medo de ser destronado por causa de uma maldição de um oráculo, Cronos engolia os filhos ao nascerem. Comeu todos, exceto Zeus, que Reia conseguiu salvar enganando Cronos ao enrolar uma pedra em um pano, a qual ele engoliu sem perceber a troca.

Quando Zeus cresceu, resolveu vingar-se de seu pai, solicitando para esse feito o apoio de Métis – a Prudência – filha do titã Oceano. Esta ofereceu a Cronos uma poção mágica, que o fez vomitar os filhos que tinha devorado. Então Zeus tornou-se senhor do céu e divindade suprema da terceira geração de deuses da mitologia grega, ao banir os titãs para o Tártaro e afastar o pai do trono. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Cronos

O escultor Fídias esculpiu Zeus sentado num trono. Na mão direita levava a estatueta de Nike (que ainda não era a Nike, Inc. fundada em 1964 por Bill Bowerman e Phillip Knight), deusa da Vitória; na esquerda, uma esfera sob a qual se debruçava uma águia. Media de 12 a 15 metros de altura, revestida de marfim, ébano, ouro e pedras preciosas. Infelizmente, a maior parte das obras de Fídias não resistiu ao tempo… Também foi o caso do seu Zeus, que não sobrepujou o tempo: transferida para Constantinopla (Istambul) em 420, pelo imperador Constantino, foi destruída por volta de 475 (século V d.C.).

Bem vem ao caso esse Zeus, sobrevivente poderoso que sobrepujou Cronos. As iamgens a seguir propõem uma reflexão sobre o dilema do tempo, seu simbolismo, seus ciclos e a profunda vinculação entre a vida e morte que o tempo sugere em nossa cultura, em seu desejo tenaz de persistência e o drama de sua passagem. O DILEMA DE CRONOS

Zeus e Hera, Museu Albertina (1750), Viena. Zeus (Ζεύς), era o pai dos deuses e dos homens com a autoridade sobre os deuses olímpicos, após destronar Cronos, seu pai, que havia devorado os filhos e obrigá-lo a vomitá-los. (fonte: pre09.deviantart.net/05b4/th/pre/i/2006/203/f/6/vienna_statue_by_darkdeutsch.jpg acesso 22/01/2016)

A Natureza e o Tempo (o Mundo)…

Templo de Zeus em Olímpia, 2006, com o local onde se encontrava a estátua de Zeus realizada por Fídias, no século V a.C. por volta de 450 a.C, quando a cidade já caíra sob o domínio de Esparta, considerada a quinta maravilha do mundo antigo. (fonte: commons.wikimedia.org/wiki/File:Tempio_di_Zeus_Olimpia_April_2006.jpg acesso 22/01/2016)

 

 

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a natureza e o tempo (o mundo)
um projeto de euler sandeville

 

 

 

 

 

Atualizações e amadurecimento do projeto entre 13/01/2016 e 02/04/2017

ATUALIZAÇÕES E AMADURECIMENTO DO PROJETO ENTRE 13/01/2016 E 02/04/2017
Euler Sandeville Jr.

 

A partir de 02 de agosto de 2017 o conteúdo do sítio foi transferido de anaturezaeotempo.net.br que editava em html para o endereço poeticasdapaisagem.wordpress.com/, depois desativado e o conteúdo disponibilizado no final de 2017 ou início de 2018 em nep.arq.br direcionado para nucleodeestudosdapaisagem.wordpress.com. O modelo de blog fez com que eu deixasse de anotar as transformações do projetos, mas guadei este registro da evolução da inicial. Em junho de 2018 transferi para o blog anaturezaeotempo.wordpress.com/ para o qual direcionei o endereço anaturezaeotempo.net.br

 

02/04/2017 Disponibilizado na seção Mundos Modernos Continuar lendo

4555576869717274778996010812, o código da cultura

4555576869717274778996010812
código de barras da cultura
Euler Sandeville Jr. (2007)

SANDEVILLE JR., Euler. 4555576869717274778996010812, o código de barras da cultura. A Natureza e o Tempo (o Mundo), on line, São Paulo, 2007.

Eventos indicados no código, discriminados a seguir. Organização Euler Sandeville, 2007.

Os eventos destacados para compor o código, e que devem expressar vários dos aspetos que se deseja indagar, estão listados abaixo. Os eventos da história nacional brasileira não foram incluídos na constituição desse código, em um primeiro momento… Foi um projeto iniciado em 2007, incorporado agora no projeto A Natureza e o tempo (o Mundo), em cujo blog este material será desenvolvido.

Figura 1  (acima). Eventos indicados no código, discriminados a seguir. Organização Euler Sandeville, 2007.

  • 1945: destruição por bombas nucleares de Hiroshima e Nagasaki
  • 1955: aos dez anos da destruição de Hiroshima e Nagasaki foi criado o parque temático Disneylândia na Califórnia por Walt Disney. Ray Kroc fundou a McDonald’s Systems, Inc..
  • 1957: publicação de On The Road, escrito em 1951 por Jack Kerouac. Lançamento do primeiro satélite humano: o Sputnik, pela URSS.
  • 1968: Maio de 68. Primavera de Praga e invasão soviética.
  • 1969: Festival de Música e Artes de Woodstock. Easy Rider. Um ser humano caminha na superfície lunar (missão Apolo 11).
  • 1971: WEF-World Economic Fórum, fundado por Klaus M. Schwab, que se reúne anualmente em Davos, Suíça.
  • 1972: Declaração de Estocolmo, aprovada durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em paralelo à crise do Petróleo.
  • 1974: Primeira compra de um produto com código de barras.
  • 1977: movimentos por redemocratização no Brasil
  • 1989: Queda do Muro de Berlim. O físico inglês Tim Berners-Lee cria a World Wide Web.
  • 1996: Clonagem de Dolly
  • 2001: ataque às torres gêmeas de Nova Iorque e início de uma nova onda de ações militares abertas na Ásia. Juntamente com a queda do muro de Berlim, esses eventos representam as faces do que chamamos de globalização.
  • 2008: início deste site
  • 2012: comemoraremos os 40 anos das conferências globais sobre meio ambiente, ou esquecemos diante de questões mais próximas, e as explicações sobre o calendário Maia… sobrevivemos a nós mesmos: está tudo por fazer

Logo de A Natureza e o Tempo (o Mundo). Código de barras da cultura, criação Euler Sandeville (2007). Folha de palmeira, foto de Euler Sandeville, 2010.

 

Título: 4555576869717274778996010812, o código de barras da cultura.
Title4555576869717274778996010812, the bar code of the culture.

Autor/Author: Euler Sandeville Jr.
Web designer: Euler Sandeville Júnior

Palavra-chave: Cultura Contemporânea, Sociedade do Espetáculo, Sociedade de Consumo, Fim do Mundo, Hiroshima e Nagasaki, Walt Disney, Ray Kroc, On The Road, Sputnik, Maio de 68, Primavera de Praga, Woodstock, Apolo 11, WEF-World Economic Fórum, Declaração de Estocolmo, Código de Barras, Muro de Berlim, World Wide Web, Dolly.
Keyword: Contemporary Culture, Society of the Spectacle, Consumer Society, World Cinema, Contemporary Culture, Society of the Spectacle, Consumer Society, End of the World, Hiroshima and Nagasaki, Walt Disney, Ray Kroc, On The Road, Sputnik, May 68, Prague Spring, Woodstock Apollo 11, WEF- Stockholm Declaration, Bar Code, Berlin Wall, World Wide Web, Dolly.

 

 

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um projeto de euler sandeville

 

 

 

 

 

visões da natureza e do mundo

VISÕES DA NATUREZA E DO MUNDO
Euler Sandeville Jr.
Versão inicial 07/01/2016. Ampla revisão definindo um novo texto: 14/02/2017. Atualização: 15/06/2017.

para citar este artigo:
SANDEVILLE JR., Euler. “Visões da natureza e do mundo”. A Natureza e o Tempo (o Mundo), on line, São Paulo, 15 de junho de 2017.

Simulação do cosmo em bilhões de anos (Künstlicher Kosmos emuliert Milliarden Jahre im Zeitraffer Simulation des Universums Künstlicher Kosmos emuliert Milliarden Jahre im Zeitraffer, Video: Nature Video, Foto: Illustris Collaboration). Imagem capturada da página de apresentação do vídeo. Fonte: sueddeutsche.de/wissen/simulation-des-kosmos-forscher-erschaffen-digitales-universum-1.1953657 Acesso em 30/01/2016

O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro menciona que Nélson Gonçalves teria dito a nosso respeito: “O ser humano, tal como o imaginamos, não existe” [1]. Já Clement Rosset [2], com certo pessimismo e impaciência intelectual procura nos demonstrar que a natureza não é um conceito, mas um desejo: o desejo de uma ordem na total ausência de finalidade do acaso. E Lenoble [3], tratando da história da ideia de natureza, nos diz que o homem sempre observou a natureza, só que não era a mesma.

Há, Continuar lendo

esclarecimento aos navegantes

ESCLARECIMENTO AOS NAVEGANTES
Euler Sandeville Jr.
Versão inicial 18/03/2016. Novo texto: 06/03/2017. Revisões importantes: 15/06/2017, 21/08/2017, 14/06/2018.

para citar este artigo:
SANDEVILLE JR., Euler. “Esclarecimento aos navegantes”. A Natureza e o Tempo (o Mundo), on line, São Paulo, 15 de maio de 2017.

Esquema da referido divisão das esferas. · O Empíreo céu (de fogo), habitação de Deus e de toda os eleitos · 10 Décimo Céu, causa primeira · 9 Nono céu, cristalino · 8 Oitavo céu do firmamento · 7 Céu de Saturno · 6 Jupiter · 5 Marte · 4 Sol · 3 Venus · 2 Mercúrio · 1 Lua. Fonte: Peter Apian, Cosmographia, Antuépia, 1524 (fonte mencionada Edward Grant, “Celestial Orbs in the Latin Middle Ages”, Isis, Vol. 78, No. 2. (Jun., 1987), pp. 152-173.) Disponível em commons.wikimedia.org/wiki/File:Ptolemaicsystem-small.png. Acesso em 30/01/2016.

A proposta que alimenta este sítio foi concebida como síntese de uma intensa reflexão que atravessou o ano de 2015 e de pesquisas e indagações que remontam a trabalhos realizados desde o início da década de 1980. Convergiu em A Natureza e o Tempo (o Mundo) a partir do início de 2016. O que talvez melhor defina meu interesse mais recente é o estudo das representações e do imaginário em suas dimensões históricas, relacionando os campos das artes, da história ambiental e da paisagem.

Esta interface virtual não é apenas, ou nem tanto, uma proposta de extroversão das pesquisas e estudos. É mais um espaço de indagação e proposição pessoal em elaboração contínua, não linear.

De certo modo, funciona como um caderno de reflexões que se refaz sempre que necessário. Isto é, os textos, e toda a modulação do sítio, suas páginas e imagens, integram tanto um projeto de construção e significação do conhecimento, quanto pretendem ser um projeto comunicativo! Não está isento de tensões, de posicionamentos que podem ser revistos, de tatear os significados de modo exploratório e de vislumbrar horizontes.

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Sobre o autor

Sobre o autor (Resenha Curricular)
Euler Sandeville Jr.
Professor, Arquiteto e Urbanista, Arte Educador.

 

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SÚMULA CURRICULAR

Professor associado da Universidade de São Paulo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Coordenador do Núcleo de Estudos da Paisagem (NEP) FAU USP (http://nep.arq.br), Vice-Coordenador da Área de Concentração Paisagem e Ambiente, Arquiteto, Arte educador, Mestre e Doutor em Arquitetura e Urbanismo, Especialização em Ecologia, Livre Docente em Arquitetura e Urbanismo.

SÚMULA CURRICULAR AMPLIADA: É Professor Associado da Universidade de São Paulo na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Departamento de Projeto Continuar lendo