a abordagem do projeto a natureza e o tempo (o mundo)

A ABORDAGEM DO PROJETO A NATUREZA E O TEMPO (O MUNDO)
Euler Sandeville Jr.
Versão inicial 18/03/2016. Novo texto: 06/03/2017. Revisões importantes: 15/06/2017, 21/08/2017, 14/06/2018, 04/08/2018.

como citar:
SANDEVILLE JR., Euler. “A abordagem do projeto A Natureza e o Tempo (o Mundo)“. A Natureza e o Tempo (o Mundo)on line, São Paulo, 2018.

A Natureza e o Tempo (o Mundo)…

The Blue Marble. Fotografia da Terra, tirada em 7 de dezembro de 1972 pela tripulação da missão Apollo 17, a uma distância de aproximadamente 45 000 km da Terra, a caminho da Lua.Oficialmente, a NASA credita a imagem a toda a tripulação da Apollo 17 — Eugene A. Cernan, Ronald E. Evans e Harrison H. Schmitt — todos tirando fotografias durante a missão, com uma câmara Hasselblad. Posteriormente, Schmitt alega que foi o autor desta imagem famosa, embora a identidade do fotógrafo não possa ser confirmada. The Blue Marble foi a primeira imagem nítida de uma face iluminada da Terra. Publicada no auge do ativismo ambiental durante os 1970s, a imagem foi vista por muitos como um retrato da fragilidade da Terra, vulnerável e isolada no espaço. Disponível em pt.wikipedia.org/wiki/The_Blue_Marble acesso em 18/07/2018

O título deste projeto admite infinitas abordagens e recortes cronológicos e espaciais, mobiliza o imaginário e as poéticas, as crenças e os saberes. Foi concebido para permitir, por um lado, visões temáticas do que chamamos de [nossa?] história. Os ensaios  inserem-se em uma perspectiva de longa duração convergindo na reflexão sobre nossa condição contemporânea. São ênfases dessa pesquisa o pensar e sensibilizar próprio da arte em suas diversas linguagens e contradições; a cultura em seu sentido antropológico; a construção contraditória e significativa do espaço vivido em que se inserem e a territorialidade dos processos estudados considerada em várias escalas e temporalidades.

Torna-se necessário ver a disputa social pelo espaço, em suas macro e micro regiões, e suas formas de realização local (a cidade, a arquitetura, o espaço livre) que não se traduzem como meros receptáculos de processos mais gerais, nem inversamente como simples emissores de inovações em determinado momento. É nesse projeto, como construção de sentidos, que esta pesquisa indaga as transformações comportamentais e valorativas em diferentes épocas, em suas dimensões históricas e culturais, observando-as como representações de mundo e poéticas implicadas na produção humana ao longo dos tempos e suas espacializações.

Considera-se de grande importância pensar as articulações entre campos do saber e do fazer, em especial arte, arquitetura, paisagismo, urbanismo e da cultura cotidiana. Com uma condição. Não se pretende vê-los como fatos ou campos em si, mas integrados em teias socioculturais e territoriais complexas em que existem e significam-se mutuamente. Procura-se situá-los em seu ambiente espacial e cultural ou, melhor ainda, sendo convidados pela própria indagação desses ambientes como campos sensíveis e da experiência e como projetos culturais diversos que em suas narrativas acasalam representações de mundo e poéticas em uma longa construção.

Os temas de uma história da natureza, ou da paisagem (e nisso se inclui o projeto como parte do agenciamento do espaço social), ou ainda história ambiental como tende a se colocar hoje um suposto novo campo (termo de abrangência muito problemática atualmente), não têm como se constituir à revelia de outros, da história urbana, das artes, das mentalidades, das formas do habitar e assim por diante.

Em qualquer hipótese, seja história da natureza, da cidade, ambiental, é antes de mais nada uma história cultural, devedora das construções sociais e do imaginário. Se não as dissociarmos em especializações, ao contrário, nos beneficiarmos delas, a temática expõe nossas concepções – e daí nossas concepções sobre as concepções de outros tempos – sobre as relações sociais, culturais e das mentalidades, entre sociedade e natureza, entre poética e natureza, entre o projeto, a imaginação e a construção social do espaço e do ambiente em diferentes períodos.

O que interessa nesse processo é permitir uma circunscrição crítica e poética sobre várias representações da natureza e do mundo, em diferentes contextos históricos. Na minha forma de pensar, contextos históricos necessariamente são também espaciais, ou seja, não há sociedade sem construção do espaço em complexas interações e em diversas temporalidades. Aí procuramos a dimensão sensível da construção desses espaços no tempo, dos artefatos e das representações (do imaginário), prenhes de valores e sensibilidades, de latências e tensões, de beleza e narrativas.

Essa abordagem deve permitir elaborar nessa estrutura em constante reconstrução e sínteses críticas e na perspectiva de longas durações – não no sentido de sistemas ou estruturas persistentes, mas de uma lenta e longa dialética da permanência em transformação e do imediato visto entrelaçado em múltiplas camadas de tempo e de diferentes contextos espaciais. Daí a estratégia de aproximação a partir de documentos ou séries documentais destacados nesse universo e sua contextualização, explicitando problemas de reflexão sobre os sentidos dos tempos e lugares.

Há uma tendência atual (difícil de escapar) de observar outros tempos a partir de nossas chaves teóricas, que lhes são estranhas, que só constroem sentidos para nós. Com isso, opera-se, entre outras coisas, o esvaziamento dos sentidos no passado, para capturá-lo nas possibilidades esperadas de nossas teorias, como que desvendando-o. Isso é particularmente verdadeiro quando uma série de condicionantes de mundo que não partilhamos mais como sociedade e se nos tornaram intelectualmente incômodos, são os elementos centrais desse passado.

Na verdade, são visões de mundo, tanto as nossas quanto as de ontem. O que talvez melhor defina meu interesse mais recente é o estudo das representações e do imaginário em suas dimensões históricas, relacionando os campos das artes, da história ambiental e da paisagem. Inclusive as nossas, como e em que valores se constituem em sua referência ao passado e ao presente. Portanto, além da busca de compreensão de outros tempos, este projeto de conhecimento é também um questionamento dos processos intelectuais em que (na prática, mesmo que negando) nos pensamos colocados quase em um ápice crítico, em que as contradições contemporâneas e as nossas muito recentes formas de ver e de pensar se propõem como explicativas para todas as demais, deixando de perceber-se elas mesmas como completamente datadas. Trata-se não apenas do desafio quase impossível de evitar o anacronismo na interpretação do passado, mas de um exercício incômodo de perceber um anacronismo na nossa interpretação do presente.

 

observação, este artigo é uma atualização do “Esclarecimento aos Navegantes”, permanecendo com esse nome desde 18 de março de 2016 até a data de 04 de agosto de 2018, quando recebeu novo nome.

 


como citar:
SANDEVILLE JR., Euler. “A abordagem do projeto A Natureza e o Tempo (o Mundo)”. A Natureza e o Tempo (o Mundo), on line, São Paulo, 18 de março de 2016. Disponível em https://anaturezaeotempo.net.br/2018/08/04/a-abordagem-do-projeto-a-natureza-e-o-tempo-o-mundo/ acesso em xx/xx/xxxx.

[para citar este artigo conforme normas acadêmicas, copie e cole a referência acima (atualize dia, mês, ano da visita ao sítio)]


núcleo de estudos da paisagem
a natureza e o tempo (o mundo)
um projeto de euler sandeville

 

 

Foto Euler Sandeville, Folha, detalhe, 2009.

Folha, detalhe. Foto de Euler Sandeville, 2009.

 

 

 

 

 

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s