a Terra é azul… que mundo é esse? parte 7. em tempo real

A TERRA AZUL [1] … QUE MUNDO É ESSE?
Parte 7. em tempo real
Euler Sandeville Jr.
versão inicial 2005/jan 2010/ 21/02/2016 a 05/03/2016. Última atualização: 05/03/2016

 


cite este artigo
SANDEVILLE JR., Euler. “A Terra azul…Que mundo é esse? 7. em tempo real“. A Natureza e o Tempo (o Mundo), on line, São Paulo, 2016. Disponível em https://anaturezaeotempo.net.br/2018/09/09/a-terra-e-azul-que-mundo-e-esse-parte-7-em-tempo-real/ acesso em DIA/MÊS/ANO.


 

Todas as novidades desse Admirável Mundo de consumo são transmitidas em tempo real pela televisão, pela internet e pela telefonia celular. Ver o homem pousando na Lua ou assistir na TV a copa do mundo de 1970, façanhas notáveis, havia tornado difícil imaginar o evento grandioso que deve ter sido a primeira transmissão de copa do mundo por rádio em 1938! Tão pouco tempo (apenas 32 anos) separa os dois acontecimentos! A partir da década de 1990 uma infinidade de aparatos técnicos invadiu e transformou radicalmente o cotidiano nas capitais brasileiras, e até mesmo a forma de relacionamento pessoal, profissional, produtivo, comercial, afetivo.

Diversos indicadores de consumo e acesso a bens podem ser usados, considerando sua distribuição regional por domicílios, como presença de aparelhos de rádio, televisão, computadores, internet, e outros indicadores. Essa cartografia, com dados obtidos nas pesquisas do IBGE e outros institutos, evidenciam tanto os aspectos de concentração, como os de irradiação que esses bens promovem, já que disseminam padrões de comportamento, sociabilidade e desejos, formam padrões de consumo, consensos, nichos identitários, padrões de linguagem e representação social, valores, com imenso poder de introjeção.

Esther Hamburger [24], 1998, apresenta três mapas com uma evolução dos domicílios com televisão nos anos de 1970 (concentrados sobretudo no Sudeste e com grande densidade no Sul), 1980 (onde se densifica ainda mais no sudeste e no sul, mas com dispersão significativa pelo sul de Minas e Goias e um eixo de expansão noroeste por Mato Grosso do Sul e Rondônia, mas já com ampla dispersão pelo território nacional) e 1990, com uma dispersão por todo o território nacional. Mostram também a disseminação de hábitos de consumo, que vão se tornando corriqueiros na vida cotidiana, cujos fluxos simbólicos e de objetos é complexo no espaço. A Figura 19 ilustra distribuição de televisores por domicílios, baseado em dados do IBGE para 2001. A tabela 1, obtida na mesma fonte, indica a porcentagem de domicílios com telefone, televisão, microcomputador e acesso a internet a partir de 2001.

Porcentagem de televisores por domicílios, baseado em dados do IBGE para 2001.
“É importante observar que a proporção da cobertura da televisão é superior à relativa a geladeiras. Em 2001, a quantidade de domicílios com televisão era de 89,0%, enquanto que a de domicílios com geladeiras era de 85,1%. Já em 2011, estes números alcançaram 97,2% e 95,8%, respectivamente”.
Fonte: O crescimento Socioeconômico do Brasil e a Radiodifusão. ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão). O sítio não apresenta restrição de direitos sobre uso da imagem. Disponível em abert.org.br/web/index.php/dados-do-setor/estatisticas/radiodifusao-socioeconomico acesso em 04/03/2016

Porcentagem de domicílios com rádio, televisão, microcomputador e acesso a internet entre 2001 e 2011, com dados do IBGE.
“Em 2011 (veja o quadro 3.5), existiam mais domicílios com TV (97,20%) do que com rádio (83,80%). Entretanto, na área rural, o rádio se assemelha muito com a televisão em termos de penetração, na proporção de 84,2% para TV e de 82,3% para rádio, isso de acordo com o site especializado Teleco. A grande maioria dos domicílios possui TV a cores (95,3%). Apenas 0,4% dos domicílios possuem TV em preto e branco (2009).”
Fonte: O crescimento Socioeconômico do Brasil e a Radiodifusão. ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão). Disponível em abert.org.br/web/index.php/dados-do-setor/estatisticas/radiodifusao-socioeconomico↑ acesso em 04/03/2016

A exclusão, gradualmente, evidencia-se como é (mais difícil de ser percebida), não se trata de objetos, mas de localizações em sentido amplo, no espaço, no social, nas possibilidades de inserção e fruição. Essa subordinação (ou diálogo em alguns casos) das esferas da sociabilidade à economia, à tecnologia e ao consumo, atinge os hábitos e o corpo. Mais do que isso, não só atinge a natureza imensamente incorporada como símbolo ou recurso a uma lógica institucional e de mercado, como se poderia dizer que a natureza, tal como ainda a conhecemos e entendemos, de certo modo já não existe mais.

A partir de 1996, com a clonagem de Dolly, o imaginário da ficção científica aproxima-se do cotidiano. O avanço dos transgênicos, da clonagem, do comércio de órgãos, o turismo ecológico [25] e agora o orbital, mostram um novo domínio do mercado sobre as esferas da vida e da natureza. Esses avanços tecnológicos recolocam a questão ambiental em um novo paradigma, colhendo plenamente os frutos de sua institucionalização (SANDEVILLE JR. 1999a). Ampliam-se as implicações éticas da nova tecnologia.

A ECO 92, com seu glamour na contradição, foi um desses (entre outros) modos de colocar escancarado diante dos olhos que não veem a natureza desse paradigma, ao fazê-lo a partir de uma necessidade razoável e de uma construção de consenso que se sobrepõe pelo discursivo, tão normativo quanto genérico, quase uma plataforma que agasalha nichos de negócios. Sua construção ideológica na forma atual nem sempre é devidamente avaliada, gerando um consenso curioso em uma época de dissenso consentido. Estende-se por todo o mundo, ou todos os lugares, prevalecendo diferenças importantes em qualquer escala que observarmos.

Enquanto nos divertimos ou trabalhamos, é necessário perguntar e perscrutar: que mundo já está presente e não nos permitimos dar conta?

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notas
1 Atualização parcial do texto base do memorial apresentado na Livre Docência em 2010, elaborado a partir de reelaboração crítica de texto de 2005.

24 HAMBURGER, Esther. Diluindo fronteiras: a televisão e as novelas no cotidiano. In NOVAES, Fernando (org). História da vida privada no Brasil, vol. 4. São Paulo, Companhia das Letras, 1998.

25 Sobre Turismo denominado ecológico: SANDEVILLE JR., Euler, SUGUIMOTO, Flávia Tiemi. Ecoturismo e (Des) Educação Ambiental. Revista Brasileira de Ecoturismo, v.3, p.1, 2010.

 


como citar material desta página:
SANDEVILLE JR., Euler. “A Terra azul…Que mundo é esse? 7. em tempo real“. A Natureza e o Tempo (o Mundo), on line, São Paulo, 2016. Disponível em https://anaturezaeotempo.net.br/2018/09/09/a-terra-e-azul-que-mundo-e-esse-parte-7-em-tempo-real/ acesso em DIA/MÊS/ANO.

[para citar este artigo conforme normas acadêmicas, copie e cole a referência acima (atualize dia, mês, ano da visita ao sítio)]


núcleo de estudos da paisagem
a natureza e o tempo (o mundo)
uma proposta de euler sandeville

 

 

 

 

 

 

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