a Terra é azul… que mundo é esse? parte 8. para onde nossas decisões nos conduzem (conclusão)

A TERRA AZUL [1] … QUE MUNDO É ESSE?
Parte 8
. para onde nossas decisões nos conduzem (conclusão)?
Euler Sandeville Jr.
versão inicial 2005/jan 2010/ 21/02/2016 a 05/03/2016. Última atualização: 05/03/2016

 


cite este artigo
SANDEVILLE JR., Euler. “A Terra azul…Que mundo é esse? 8. para onde nossas decisões nos conduzem (conclusão)?“. A Natureza e o Tempo (o Mundo), on line, São Paulo, 2016. Disponível em https://anaturezaeotempo.net.br/2018/09/09/a-terra-e-azul-que-mundo-e-esse-parte-8-para-onde-nossas-decisoes-nos-conduzem-conclusao/ acesso em DIA/MÊS/ANO.


 

O período aqui referido, desde o final trágico da Segunda Guerra, ultrapassa por pouco 70 anos, quando escrevo este ensaio. Um tempo inferior à duração esperada da vida humana, em uma condição sob muitos aspectos sem precedentes. Da sociedade de consumo e da contracultura à globalização, percebo que mitos como esses não dão conta dos fatos a que se referem.

Quais valores são transformados e transformadores? Quais realidades, hoje, são as que já estão presentes, mas não vemos? Quais são os muros que hoje nos são dados a construir, ainda que discordando?

Lembrar, nesse sentido e em tal contexto, é mais do que nostalgia ou rememorar, é a possibilidade de estar presente em um hoje alongado, de compreender, de atuar em um tempo mais amplo do que aquele oferecido pela técnica e pelo negócio. E cada vez mais também pelo ensino.

Por vezes, tenho a impressão de estar havendo um contínuo lasseamento dos ideais coletivos a par de uma introjeção e institucionalização (normalização?) crescente de formas de controle do comportamento. Mas vejo que não se trata só disso. Mais importante, é o que significa perceber que, também pode ser verdade, os ideais estão tão vivos hoje, quanto sempre estiveram lasseados. Esta última ideia não nos furta a necessidade, sempre posta aos homens, de terem de, cada um à sua época, posicionarem-se perante os valores e práticas. Mas representa a obrigação de percebermos qual a responsabilidade e oportunidade com que nos defrontamos hoje. Em um hoje ampliado, histórico e existencial.

Compreender-me (compreendermo-nos) em mudança propõe-me o problema do que deve permanecer, para que a institucionalização a que somos cobrados seguidamente não se torne conformação, esvaziamento, traição de si mesmo por si mesmo. Como minhas mudanças se inserem nas mudanças em curso? O amadurecimento – sempre associado a compromisso e progresso – é uma forma elaborada de traição do que se foi? Ou o compromisso ainda pode ser uma forma criativa? Amadurecer é conformar-se a esse estado de coisas ou é, justamente, entendendo na medida do possível, preservar valores fundamentais diante de um caudal que se oferece como inexorável?

As questões, como se vê, não são meramente pessoais. Há uma possibilidade de ampliação na distribuição de recursos sociais e um direcionamento que redunda em suas ausências. Há uma padronização dos procedimentos, oportunidades, linguagens, e da sedução do pensamento pela promessa de sua expressão multifacetada em nichos pulverizados, ao enxertar-se no sistema produtivo de bens ditos imateriais, que trariam ganhos materiais e simbólicos a seus operadores, que subordinam-se assim a essa lógica como se fossem peças criativas ocupadas consigo mesmas.

Mas há um engano, o que tratamos aqui não são fenômenos imateriais, de uma causa e origem desconhecida. Estamos imersos neles. São concretos, e portanto, consequentes. Há ainda outro engano, a matéria não esgota-se em si, como a técnica e o negócio parecem querer, nem o imaterial no plano dos pensamentos e desejos como a (inter)subjetividade do self parece propor. Estamos caminhando com muita pressa, como se soubéssemos aonde vamos, e sequer sabemos as consequências desses atos ampliados na multidão.

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notas
1 Atualização parcial do texto base do memorial apresentado na Livre Docência em 2010, elaborado a partir de reelaboração crítica de texto de 2005.

 


como citar material desta página:
SANDEVILLE JR., Euler. “A Terra azul…Que mundo é esse? 8. para onde nossas decisões nos conduzem (conclusão)“. A Natureza e o Tempo (o Mundo), on line, São Paulo, 2016. Disponível em https://anaturezaeotempo.net.br/2018/09/09/a-terra-e-azul-que-mundo-e-esse-parte-8-para-onde-nossas-decisoes-nos-conduzem-conclusao/ acesso em DIA/MÊS/ANO.

[para citar este artigo conforme normas acadêmicas, copie e cole a referência acima (atualize dia, mês, ano da visita ao sítio)]


núcleo de estudos da paisagem
a natureza e o tempo (o mundo)
uma proposta de euler sandeville

 

 

 

 

 

 

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